Eu - Pessoa com Deficiência Física – e minha inclusão no trabalho

Eu - Pessoa com Deficiência Física – e minha inclusão no trabalho


Vou fazer um breve relato da minha deficiência física: nasci no ano de 1956, exatamente no mês de outubro, as 13:00 horas. Naquela época, não havia Pediatra nos hospitais para verificar se estava tudo bem com a criança. Assim, minha deficiência só foi descoberta quando fiz 3 anos, porque eu não conseguia ficar de pé, caia para trás.

Quando fui para Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, descobriu-se que eu tinha luxação congênita (deslocamento do fêmur do encaixe do ilíaco) nos dois quadris, sendo que o lado esquerdo não foi tão afetado, mais o direito sim.

Passei por 14 cirurgias ao longo da vida (maiores detalhes vocês encontram no meu livro autobiográfico “Escolhi Ser Feliz”).

Bem, vamos lá, o meu primeiro emprego foi com 16 anos, no antigo Banco Bamerindus, como recepcionista de balcão. Ali não passei por nenhuma discriminação quanto a minha deficiência, nem pelos meus colegas de trabalho, nem tampouco pelos clientes. Era muito respeitada por todos. Permaneci por 5 anos.

Posteriormente, trabalhei como Secretaria com um amigo do meu tio, que tinha um escritório de Contabilidade. Fiquei 1 ano.

Sempre fui uma pessoa de alçar mais ganhos. Meu irmão e eu fomos prestar concursos públicos. Passei no concurso do Ministério Público de São Paulo, como Escriturária. Tinha uma chefe e fui muito bem tratada, mesmo com minha deficiência. Mas, como ganhava pouco e precisava ajudar nas despesas da casa e Faculdade, me preparei para o concurso de Escrevente Técnico do Tribunal de Justiça.

Consegui passar e encontrei um chefe e uma Escrivã maravilhosos. Enfim, também fui muito bem recebida por eles e por todos os colegas de trabalho, sem nenhuma discriminação. Porém, quando ambos se aposentaram, entraram pessoas preconceituosas, as quais eu podia substituir, mas nunca ter o cargo de chefia. Eu podia substituí-los por 3 sessões, mas não podia assumir o cargo de chefia, pois ele barrava as indicações e colocava pessoas de sua preferência no lugar.

Esse Escrivão, várias vezes me falou que eu “dava prejuízo para o Estado”. No entanto, esse mesmo Estado disponibilizava vagas para pessoas com deficiência em seus concursos.

Se na época eu soubesse o que sei sobre as leis voltadas para inclusão de Pessoas com Deficiência em cargos públicos, com certeza situações como essas não ficariam impunes.


Durante 9 anos senti o peso do preconceito. Ganhei uma gastrite nervosa, dentre outras somatizações e muito choro, como consequência da crueldade e desumanidade que imperavam nesse ambiente em relação a mim.

É muito ruim precisar trabalhar e sentir o preconceito de pessoas superiores a você. Aí vocês podem me perguntar “por que não saiu?”. Meus pais dependiam de mim financeiramente e eu não podia me dar o luxo de sair desse inferno.

Quando conclui a minha segunda Faculdade, pedi ao Departamento Pessoal que me realocasse para a Vara da Infância e Juventude. Lá, fui muito bem tratada por todas as Psicólogas que, inclusive, me prepararam para o Concurso de Psicóloga Forense. Mas nem cheguei a prestá-lo, porque tive que fazer a cirurgia para colocação de prótese na perna direita para me locomover melhor.

Durante a minha licença, um Médico me aposentou por invalidez. Não era necessário, tentei impetrar recursos, mas nada adiantou.

Muito triste com essa decisão, meu esposo, que era Médico, me deu força para iniciar a minha carreira de Psicóloga Clínica, na qual estou até hoje.

Hoje, sigo alguns grupos de PCDs e vejo os relatos. Percebo que, mesmo com tanta divulgação sobre o assunto, ainda há muito preconceito. Imaginem que, dentro de muitas empresas há pessoas sem deficiência que direcionam trabalhos pesados a pessoas com deficiência física, verdadeiros desafios quase intransponíveis para esse tipo de deficiência. Riem da incapacidade, isolam as pessoas, como se os desafios não fossem só físicos, mas também mentais. São atitudes explicitamente capacitistas, além de extremamente discriminativas e cruéis.

Muito triste, ver que tudo isso ainda acontece, com isolamento e chacotas direcionadas às pessoas com deficiências.

E aí eu pergunto: “será falta de informação ou é crueldade com o ser humano com deficiência mesmo?”.

Na atualidade, temos a Leis de Cotas. Mas será que as Empresas olham o contexto como um todo, preparam espaços e pessoas para receberem colaboradores com deficiência? Algumas sim, mas não são a maioria.

Hoje, sou CEO de uma Consultoria de Psicologia, na qual já fiz vários projetos, inclusive um que se chama “O Caminho a Seguir – Inclusão de Pessoas com Deficiência”. Montei junto com algumas parceiras, uma cartilha que explica todas as deficiências, cito seus CIDs (Código Internacional de Doenças) e como tratar essas pessoas. Logo, logo, estará disponível para venda.

Tenho esperança que o Brasil se transforme num país mais inclusivo, respeitoso e sem preconceito.


A decisão é nossa! Só nossa!






Eliana Aparecida Conquista CRP/SP 42.479-7

11 98904 5112 www.conquistahsonsultoriapsicologica.com @conquistahconsultoriapsico

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