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Família: Escola da Alma

  • Gabriella Sperati
  • 14 de jun.
  • 5 min de leitura

Por Maria do Carmo Braga do Amaral Tirado

Psicóloga – CRPSP 06/42494

Parceira da ConQuistah Consultoria Psicológica

Alguns de vocês vão se questionar, por que dei esse enunciado?


No transcorrer do tema, ficará mais explícito o motivo.


Sem a família o progresso seria muito mais lento, é lá que aprendemos a lidar melhor ou não, com as diferenças; a desenvolver o perdão; a paciência; a renúncia e o amor sem exigência.


Desde a gestação, laços começam a ser formados e, mesmo para aquelas pessoas que não gestaram, porém assumiram adoções ou guardas/tutelas de filhos de terceiros, sempre há um porquê e um para quê, isso aconteça. Nada é em vão!


Ainda há a família universal, na qual nos colocamos no lugar de muitos, além do mais nesse momento, em que estamos às voltas com notícias delicadas, frente a guerras, guerrilhas, adversidades que, direta ou indiretamente, nos afetam e, consequentemente, aos núcleos familiares.


Na prática, o maior laboratório que temos é justamente a família; ali vemos claramente as afinidades, mas também um sem número de dificuldades de relacionamentos.


Com o advento e propagação da internet, as famílias, às vezes, mal se falam pessoalmente, o que é um problema. A mídia nos ajuda e muito, porém, quando o diálogo se restringe à WhatsApp, por exemplo, as coisas começam a tomar outro rumo.


Antigamente, os filhos se sentavam à mesa com os pais na hora da refeição; na atualidade estão tão focados em jogos eletrônicos e mídias sociais, que mal olham nos olhos dos familiares. Não digo que isso aconteça com todos, mas há uma infinidade de pessoas que assim agem, sobretudo os jovens e, pasmem, até crianças.


O diálogo fica disperso e qualquer coisa vira um sem-número de discussões e brigas, isso quando não acontece o fenômeno da “omissão” - deixa pra lá, ele(a) está distraído(a), pelo menos não está nas ruas...


É o que eu digo: cuidar da família não é tarefa para qualquer um...


Requer muito discernimento, empenho, esforço mútuo e boa vontade, pré-requisitos essenciais para manter um lar minimamente equilibrado.


E, para isso, também temos que nos trabalhar intimamente, afinal, ser um bom pai, mãe, filho(a), requer dedicação. Nem sempre um adolescente, por exemplo, vai conseguir se colocar no lugar de seus pais, pela própria fase - e os pais (ou cuidadores) têm que compreender isso. Não adianta ficar falando “na minha época...”, até porque, de verdade, a maior parte de nós também sofríamos as mazelas daqueles momentos. Mas como tudo passa, esquecemos de muita coisa...


A questão é que, muitas vezes não esquecemos e, na atualidade, representamos aquilo que nos fazia mal, repetindo histórias delicadas.


As famílias hoje também enfrentam outra realidade - os idosos vivem muitíssimo mais - esse fenômeno vem trazendo sérias consequências familiares. Os filhos assumiram tantas coisas, que mal tem tempo para si e se deparam com pais enfrentando situações de saúde, com necessidades muito maiores. E como dar conta de tudo isso? Muito complexo!


Mas, mesmo mediante conflitos familiares, há sempre ganhos, quando vemos isso como uma oportunidade de crescimento e não somente como uma obrigação e dever.


“Eu me obrigo a fazer tudo em casa porque é minha função e acabo brigando com todo mundo, porque fico cansada(o)”. Vamos analisar essa fala: primeiro, o certo não é fazer tudo pelo outro, temos que ensinar a “pescar”, ou seja, nem sempre dar o peixe pronto. Isso é um processo contínuo que os pais tem que fazer junto a seus filhos. Entre casais é preciso que haja discernimento; se ambos trabalham é necessário que tenha mútua divisão de tarefas; e, mesmo, que um dos cônjuges não trabalhe, esse também tem direito a ter um lazer, a fazer algo por si, não se incumbir de tudo e depois ficar se lamentando que não foi valorizado. Às vezes, os hábitos têm que ser reestruturados, para que na família não sobrecarregue um ente, em detrimento do restante. Até porque, não ajudamos o outro se fizermos tudo por ele, ou, ao contrário, nos sentirmos no direito de apenas sermos “servidos”, como se fossemos reis ou rainhas.


Os núcleos familiares mudaram muito nesses últimos anos. Não incomum, vemos “os meus, os seus, os nossos”. Imagina como é difícil aprender a conviver com pessoas que vêm de diferenciados núcleos, culturas outras, educações diversas. O crescente número de separações conjugais, traz uma nova realidade, na qual nunca podemos esquecer, que o casal se separa, mas os filhos não!!! Quantos casos de alienação parental...


E quando há um luto? A perda de um ente querido, em geral, cria nova realidade e, até que isso se reestruture, muita coisa pode acontecer. Na maior parte das vezes, o indivíduo não está preparado para esse momento de dor. Além das situações adversas advindas de brigas familiares por herança, muito mais comum, do que imaginamos.


Na família, quantas desagregações, quando se trata de opinião política, time de futebol e religião. Há pessoas que não se falam porque o outro não pensa como ela.  Quem disse que sua ideia, pensamento e sentimento tem que ser igual ao do outro, nesses quesitos? Todos têm direito a gostar ou não, mas nunca interferir no livre arbítrio, mesmo que seja de um parente próximo. Isso não nos cabe.


A maior parte do que já foi citado, passa por uma palavra chamada respeito; quando me coloco no lugar do outro, tenho empatia, posso mudar muitas situações familiares com diálogo franco e engrandecedor.


Para isso, tenho que sair do pedestal, encarar que aquele que está ao meu redor não veio ao acaso na minha vida e me esforçar em manter a serenidade, evitando muitas lides.


Quisera ter receitas prontas de como manter uma família “feliz”. Primeiro a vida é cheia de percalços e nem sempre estaremos felizes, mas, se ao menos conseguirmos ser gratos pelo que temos, por aqueles que estão ao nosso redor, já é um grande início.


A gratidão abre portas de entendimento e de bons sentimentos que podem ajudar nas relações. Quando sou grato, aceito mais quem está ao meu redor porque compreendo que nada é por acaso, mesmo frente a eventuais dificuldades.


Aquela “Família Doriana” dos comerciais não existe! Temos que ter consciência disso e tentar nos auxiliar mutuamente, especialmente nos momentos mais difíceis, pois na festa, na alegria, na abundância tudo é perfeito. Só que não!


Na escola da vida aprendemos devagar, porém, continuamente. Assim é, com referência aos nossos familiares: em determinados momentos tudo flui bem, noutros nem tanto... E é aí que aprendemos de verdade a nos acolher e, se não o fizermos, teremos que assumir esse ônus de algum modo. Mas não se preocupem, tudo a seu tempo. E o tempo de cada um é particular e único, por isso não se cobrem e menos ainda, cobrem os outros; pois se em alguns momentos não nos damos conta de algo, o que dizer do outro? Mas, tentem, sempre tentem melhorar os núcleos familiares ao qual pertencem. Com certeza essa Escola da Alma, lhes trará dádivas eternas!!!


 
 
 

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