Cuidar do corpo aos 45+ é um ato de amor-próprio
Por Ana Paula Aquilino
Psicóloga - CRPSP 20.694
Parceira da ConQuistaH Consultoria Psicológica

Quarenta e cinco anos – pouco mais, pouco menos! Muita coisa acontecendo com a mulher nesta fase. Claro que depende de estar casada ou não, ter filhos ou não e, caso os tenha, com que idade estão, o tipo de jornada de trabalho que vivenciam, independente de doméstico ou profissional, em casa ou fora dela.
A questão é que, qualquer cenário que eu imagine, possivelmente essa mulher está passando por uma sobrecarga de tarefas, responsabilidades, mudanças hormonais, familiares, profissionais e afetivas. Tudo isso traz a necessidade de uma reorganização na autoestima e no autoconhecimento. Mas será que é fácil prestar atenção nessa necessidade?
Estamos no Outubro Rosa, que chama nossa atenção e nos traz a oportunidade de olharmos para o quanto essa rotina que vivemos, muitas vezes faz com que nos coloquemos em segundo plano. Pode ser um desafio abrir espaço para o autocuidado em meio aos cuidados com tantas pessoas e demandas do cotidiano.
Mas há algo que podemos fazer por nós mesmas, independente dessa rotina e quero perguntar a você, leitora: como você encara a proposta do autoexame nas mamas?
Aponto, com segurança, que, mais do que uma proposta médica, o autoexame representa um momento de reconexão consigo mesma em meio a uma rotina que pode estar afastando você da percepção de seu próprio corpo.
Porém, muitas mulheres evitam esse e outros exames por receio de encontrar “algo”.
Mas olha, você já pensou que existe a enorme vantagem em descobrir qualquer alteração logo no início, trazendo poder de tratamento e cura maiores do que se encontrada apenas nos exames anuais (se é que você se dá a oportunidade de manter essa agenda em dia)? Já pensou que o autoexame é algo que está nas suas mãos (literalmente), sem a dependência de agendas e deslocamentos, e traz um conhecimento que é contrário à ansiedade de imaginar coisas possíveis, mas não comprovadas? Você consegue facilmente instruções de como realizá-lo adequadamente numa rápida pesquisa na Internet.
O autoexame não precisa ser um momento de medo, mas sim de encontro consigo mesma, num olhar com carinho e respeito. Quantas vezes por mês você realmente tira um tempo para se olhar no espelho, sem buscar apenas adequação social na forma de se vestir?
Cuidar do próprio corpo aos 45+ é um ato de amor-próprio que propicia o aprendizado de dizer “não” para sobrecargas externas, e dizer "sim" para si mesma e para as suas consultas de rotina (mamografia, exames ginecológicos) indispensáveis e insubstituíveis. O autoexame complementa (não substitui) as práticas de autocuidado, em conjunto com os exames que seu/sua médico(a) solicita.
Pode ser um hábito mensal, e você pode incluir outros hábitos de autocuidado no dia a dia, como momentos de lazer (seu, não dos filhos ou do marido), terapia, pausas na rotina para leitura, ouvir uma música ou fazer alguns minutos de relaxamento ou meditação. Você encontra opções dessas duas últimas práticas, que duram apenas 10 a 15 minutos e fazem toda diferença num dia atribulado.
Priorizar essa prática mensal significa entender que sua saúde não pode esperar o tempo de todo mundo. Marca a transição de "cuidadora de todos" para “autocuidadora”, levando a um tempo de maior conexão consigo mesma. O nome disso é AUTORRESPEITO – algo que, em geral damos pouca relevância quando chegamos nessa fase tão atribulada, mas que já não nos coloca tão indispensáveis a outras pessoas, como na fase em que nossos filhos eram pequenos, por exemplo.
O corpo que está em mudança agora é o mesmo que carrega toda a sua história e, cuidar dele é honrar quem você se tornou e vai se tornar nos próximos tempos.
Pense em tudo isso e compartilhe este texto com outras mulheres que você ama e percebe que precisam de um estímulo para se cuidarem e voltarem a olhar para si mesmas com autorrespeito e carinho.




Comentários