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Prevenção de Suicídio: Setembro Amarelo

Gabriella Sperati
6 de set.
4 min de leitura

Por Maria do Carmo Braga do Amaral Tirado Psicóloga –

CRPSP 06/42494

Parceira da ConQuistaH Consultoria Psicológica

O suicídio vem permeado de dor, sofrimento e falta de respostas. Quantas famílias se veem desgastadas, por anos, frente a um desenlace inesperado e trágico?


Infelizmente existe uma crescente estatística no Brasil e no mundo. E na atualidade, afetando, assustadoramente, crianças e adolescentes, além de idosos. Tudo isso nos faz pensar, o que houve? Não basta culpabilizar a família, o Estado, o país, etc… Há que se olhar para esse cenário e tentar estar mais perto da problemática, ter consciência do que pode acontecer com o amigo, o filho, os pais, o colega de trabalho e aquele transeunte, que sequer foi percebido. Via de regra há um silêncio de quem planeja se matar, um vazio enorme, às vezes uma fala, que mal é ouvida, ou simplesmente, negligenciada por aqueles que estão ao redor.


E, se de fato acontece, a culpa, a tristeza, a dor, em muitos casos, se tornam insuportável. Bem sabemos que hoje trabalhamos mais, a vida requer dedicação dupla, a exigência está cada vez maior e quando chegamos em casa, nem sempre conseguimos sentar à mesa, jogar uma conversa fora, brincar com os filhos. E aqueles que são mais velhos podem se tornar invisíveis à família, causando depressões graves e falta de vontade de viver, se sentindo “entulhos”.


Quantas pessoas que, às vésperas do Natal, ao invés de comemorar a data, a sensação de vazio é tão grande, que desenvolvem ideações suicidas? O Centro de Valorização da Vida que o diga, quão difícil são esses momentos… em conversas com pessoas que tentaram dar cabo de sua existência, a maior parte tem quadros mentais delicados, desde a infância, que sequer foram percebidos.


Ocorre que hoje, a Internet impera e, pasmem, há sites que induzem crianças e jovens a desafios que podem acabar com suas vidas. E, sem fiscalização, se deixam levar por influência externa e avassaladora. Imagino que a maior parte desses, tenham dentro de si, algumas tendências e muito provavelmente vêm de famílias pouco acolhedoras.


Ora pelo excesso de rigidez e disciplina, ora pelos pais muito imaturos, além daqueles que vivem violência doméstica. Em especial nas situações de abuso sexual, não incomum, a criança ou jovem desenvolver sequelas mentais que podem advir nas citadas ideações suicidas.


Desde a gestação até a vida adulta passamos por fases e fases… algumas marcadas por momentos incríveis, porém, outras nem tanto! Dependendo dos vínculos familiares, dos sentimentos que recebemos, iremos desenvolver atitudes boas e outras perniciosas. Cada qual vai aprender a lidar com essa gangorra emocional, de um jeito.


No fundo, todos somos sobreviventes de um barco, que plaina nas águas límpidas e claras, porém, vez ou outra, as águas vão ficar “nervosas”, vão nos aterrorizar e nos dar muito medo. E aí “mora o perigo”. O barco vai, o barco vem, mas o jeito que a vida vai nos ensinar a remar depende muito do individual, meu “eu” mais profundo e das relações que estabeleci com o coletivo. Por isso, alguns são mais resilientes, mais pacientes e outros, vivem reclamando, se angustiando, não vendo uma luz no fundo do poço.

E como poder ajudar o próximo que, de algum modo, transparece estar no limite?

Primeiro, temos que ouvi-lo antes de emitir a nossa própria opinião, tentar captar o que vem por detrás daquela fala.


Mas, e se o outro não se expressa, se cala? Bem sabemos, que o corpo “fala”. Sempre há uma expressão corporal que tenta passar uma mensagem ou, por exemplo, fará um desenho em que se mostra acorrentado por uma dor. As correntes, às vezes, são invisíveis a olho nú, mas captáveis pela sensibilidade de quem se põe a querer ajudar alguém.


Centros de Valorização da Vida salvam muita gente, mais do que pessoas próximas. Essas estão tão ligadas a suas próprias questões que, não incomum, negligenciaram os seus. Claro que cada caso tem que ser visto individualmente.


Conheci um senhor extremamente simpático, religioso, amável que fazia um tratamento de depressão grave. Na mudança de medicamento, nos primeiros dias de uso, houve uma exacerbação dos sintomas e, no desespero, tirou sua vida. A família era cuidadosa, mas não tinham sido alertados do perigo que havia na mudança de psicotrópico nos primeiros dias de uso. Foi muito doloroso para todos!


Porém, há situações que podem ser prevenidas, inclusive com o olhar cuidadoso de, por exemplo, um colega de trabalho que estende a mão a alguém muito só.


Outra questão importante: o não julgamento. Até hoje vemos pessoas falando que depressão pós-parto é “frescura”. Depressões desse nível podem, se não cuidadas, virar Psicose Puerperal, com gravames que interferem com o bem-estar do bebê, com consequências para o resto da vida.


Além disso, há o suicídio inconsciente, muito comum pelos excessos de todos os níveis (drogas lícitas e ilícitas). E, nesse caso, essas doenças têm que ser tratadas, por serem dependência química.


Portanto, pais, conversem mais com seus filhos; filhos cuidem de seus pais, depois de uma certa idade. Pessoas sós, tentem, na medida do possível, manter amigos, fazer algum esporte.


Procurar uma psicoterapia ajuda muito nesses processos. Abre a mente para o autodescobrimento. Têm aqueles também, que buscam alguma crença, que possa aliviar a alma. São caminhos que juntos ou separadamente, provavelmente nos farão entender que viemos na cidade certa, na casa adequada, com a família que precisamos para evoluir e com os amigos que escolhemos.


Teremos lutas, tristezas, às vezes, vontade de “sumir” mas nada que chegue ao ponto de liquidar o bem maior que recebemos do Alto ao nascer - que é a vida. E “é bonita, é bonita, é bonita!” - como diria o nosso querido Gonzaguinha.


A decisão é nossa! Só nossa!


 
 
 

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