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Autoconhecimento e Autoconsciência – qual a diferença?

Ana Paula Aquilino

Psicóloga Clínica, Coach, Palestrante

CRPSP 06/20694

Parceira da ConQuistaH Consultoria Psicológica

“Eu me conheço, sei que se falarem sobre esse assunto vou acabar brigando!”

“Sempre que meu filho faz isso, acabo cedendo.”

“Sei que, se eu for a esse evento, vou conseguir o que quero.”

“Quem me conhece já sabe que sou assim. Se quiser, que me aceite desse jeito!”


Estas são frases que nos fazem pensar em pessoas que têm conhecimento a respeito de si mesmas. Porém, será que isso basta para termos tranquilidade em relação à nossa atuação no mundo?


Saber como você é, suas motivações ou desmotivações, como você responde aos fatos e estímulos que o mundo traz, realmente são aspectos que levam a pensar em algum autoconhecimento. Este saber permite que você antecipe como reagirá a determinadas situações e, numa visão pouco profunda, define que você se conhece.


Porém, quando falamos de autoconhecimento precisamos de reflexão, de um olhar para dentro, de uma análise sobre o que o mundo, a vida e tudo que o cerca, faz você sentir. Não é apenas saber que reaje de determinada forma em situações específicas.


Cabe refletir sobre o que você realmente sente e que faz com que reaja daquele jeito. Você reaje assim porque se sente ofendido(a), sozinho(a), porque quer ser aceito(a)? Conhecer-se implica em entender a cadeia “gatilho(estímulo) + emoção + reação”.


Podemos chamar essa cadeia de Padrão Emocional. Ou seja, sempre que algo faz com que você se sinta de uma forma específica, você reaje de maneira semelhante.


E o que faz você reagir dessa forma, sempre? Seus valores? Seus traumas? Suas crenças a respeito de si mesmo(a)? Coisas que sempre ouviu a seu respeito e que, independente de gostar ou não, assumiu como verdades? Perceba que algo só funciona como gatilho para uma emoção quando tem uma história por trás. Qual a história por trás de cada emoção que leva a uma reação?


Podemos, então, ampliar a equação de nossos Padrões Emocionais para:

. história (valores, crenças, traumas etc) + gatilho (estímulo) + emoção + reação.


E assim, conseguimos, por vezes, justificar determinadas reações e escolhas que fazemos, baseados no autoconhecimento que atingimos por meio dessa introspecção.


No entanto, conhecer tudo isso não ajuda muito na hora de lidar com as consequências de sermos de uma determinada maneira. Será que a justificativa encontrada por meio do autoconhecimento serve para nos ajudar a evoluir na direção de vivermos melhor?


“Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim...” Estes versos da “Modinha para Gabriela”, de Dorival Caymmi, nos traz a realidade da rigidez de algumas pessoas a respeito de si mesmas. Com o devido respeito ao grande compositor, se trouxermos para a vida real, podemos nos deparar com um personagem que usa desse tipo de autoconhecimento como muleta para justificar possíveis erros de escolhas, ações e expressões, por vezes inadequados e com consequências sérias para a própria vida e para quem o cerca.


E agora, se você chegou até aqui nessa análise sobre si mesmo, para entender o que significa autoconhecimento, pode passar para o entendimento do que significa autoconsciência.


Vamos então, aumentar um pouco mais a cadeia dos Padrões Emocionais:

. história (valores, crenças, traumas etc.) + gatilho (estímulo) + emoção + reação + consequências (para você e para quem está ao seu redor).


A autoconsciência traz a clareza sobre o impacto no ambiente e para quem está à sua volta, de você ser como é.


As encrencas que você sempre entra, as relações que terminam da mesma forma, as coisas que você sempre perde, a forma como as pessoas sempre falam com você, são, em geral, respostas à sua maneira de reagir e se expressar, mantendo seus padrões emocionais.


Além disso, é preciso ter em mente que seu jeito de ser também pode, a qualquer momento, representar um gatilho para os padrões emocionais das pessoas ao redor.


Portanto, para chegarmos à autoconsciência, precisamos de autoconhecimento reflexivo e mais profundo. Porque a questão é: apenas sabermos que somos de uma determinada forma não justifica ou dá suporte para toda ou qualquer forma de reação que se tenha.


A autoconsciência traz uma visão ecológica, levando em conta as consequências de sermos como somos para nós mesmos, para nosso contexto pessoal/familiar, profissional, e como cidadãos do bairro, da cidade, do Estado, do país e do mundo!


Por meio da autoconsciência, percebemos qual a marca que deixamos nas pessoas e nos lugares por onde passamos.


Atingir o patamar da autoconsciência permite que você tenha empatia por alguém, conectando uma dor que você tem (ou teve) à dor do outro, independentemente do tipo de situação. Se você tem consciência sobre as suas dores, pode se identificar com a dor do outro, porque dor é dor e dói, ponto! Se não consegue identificar em si as suas dores, não vai conseguir ser empático (a) com a dor do outro e, menos ainda, com a dor que causou por meio das suas ações e reações.


Olhar o outro como alguém que também tem sua própria história, seus valores, traumas e crenças, tendo como base a sua própria autoconsciência, facilita respeitá-lo e se fazer respeitar.


O autoconhecimento está na autoconsciência e o inverso não é verdadeiro. Um vem antes do outro.


O primeiro envolve um olhar para dentro, para o próprio “eu”, em toda a sua complexidade.


O segundo, vem de lá de dentro e transborda para o mundo, para o externo, para as pessoas ao redor, para o ambiente.


Não é um processo fácil de ser construído. Em geral, passar a conhecer nossos padrões emocionais nos traz a responsabilidade que temos pelas diversas perdas, dores e sofrimentos que construímos ao longo da vida. Por isso, não hesite em buscar ajuda nesse caminho.


Um profissional de Psicologia, seja qual for a linha de atuação, ajudará muito nesse processo e na superação das consequências indesejadas de nossa forma de ser, assim como na quebra de crenças limitantes, permitindo-nos atuar o nosso melhor, de maneira mais tranquila e leve. A marca que deixamos por onde passamos pode ser um legado e não uma cicatriz.


E então, qual a marca que você deixa nas pessoas e ambientes por onde passa? Que consequências e legados você constrói a cada passo?

Pense bem... a escolha é sempre nossa!

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