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Menopausa : Eu não estou enlouquecendo!

  • Gabriella Sperati
  • 4 de mai.
  • 5 min de leitura

Por Ana Paula Aquilino

Psicóloga - CRPSP 20.694

Parceira da ConQuistaH Consultoria Psicológica


“Preciso de.... é é é... para proteger meus olhos do sol.... é é é...”. 


“ Por que estou chorando, meodeosdocéo? Justo agora?”.


“Affff! Já estou sendo anunciada como a próxima a falar e estou neste estado, transpirando feito um chafariz e – tenho certeza - vermelha como um tomate!”.


“Caramba, em pleno inverno e eu não aguento esse calor! Quem consegue dormir assim?”.


“Não tenho vontade de fazer sexo. Nunca!”


“Gente, é insuportável! Será que estou ficando louca?”.


Não, você não está ficando louca! Tranquilize seu coração! Você está na perimenopausa, ou, como normalmente falamos, está na menopausa e tudo isso é real e esperado. Em minha experiência de consultório, muitas mulheres chegam até mim com a mesma pergunta silenciosa: o que está acontecendo comigo?


Aproximadamente 85% das mulheres em todo o mundo passam por alguns ou todos esses sintomas. Algumas com maior intensidade, outras com menos. Mas somente 15% a 20% não sentem nada durante o período de transição entre a fase reprodutiva e a fase não-reprodutiva. São privilegiadas, e não se sabe exatamente o porquê de diferenças individuais tão marcantes. O que se sabe, atualmente, é que, com muita frequência repetimos o processo que aconteceu com nossas mães. Mas, não necessariamente. 


O certo é que cada uma vive esse período de um jeito muito pessoal. Não só na maneira de entendê-lo, mas também nos sintomas físicos e emocionais envolvidos nesse período.


Para entender o que está acontecendo, precisamos olhar rapidamente para as fases do nosso corpo:


  • Pré-Menopausa ou período reprodutivo - todo período reprodutivo antes da   transição para a menopausa.


  • Transição para a menopausa - Período em que o ciclo menstrual oscila e começam os sintomas hormonais e clínicos da menopausa.


  • Perimenopausa - Começa mais para o fim da transição e continua no primeiro ano após a última menstruação. Os sintomas se instalam e vivemos uma montanha-russa todos os dias.


  • Menopausa - O fim do ciclo menstrual. Clinicamente, você saiu da perimenopausa e entrou para a menopausa depois de passar 12 meses consecutivos sem menstruar.


  • Pós-menopausa - Fase que começa 12 meses após a última menstruação.


Das mulheres que fazem parte da grande maioria que vive os sintomas da perimenopausa, muitas passam por eles em silêncio, sozinhas em seus medos e ansiedades do período, por vergonha e falta de informação. 


O início da manifestação dessas “coisas de louco” vem carregado de vários mitos socioculturais que de nada ajudam e ainda atrapalham muito. Os pensamentos que nos invadem nesse período podem envolver: “é o início do fim”; “estou ficando velha”; “estou ficando louca”; “estou emburrecendo”; “já não vou conseguir fazer mais nada produtivo”; “estou deixando de ser atraente”; “meu marido vai me trocar por duas com a metade da minha idade”; “que vergonha!”.


Mas o mais difícil não são os sintomas. É achar que você está sozinha nisso.


O principal fato que está acontecendo em seu corpo é a baixa da produção de Estrogênio e de progesterona – hormônios ligados à reprodução – até deixarem totalmente de serem fabricados. Disso, a maioria sabe.


Porém, o que é pouquíssimo divulgado é que esses mesmos hormônios, em especial o estrogênio, funciona como combustível para diversas funções do cérebro que nada têm a ver com reprodução. O cérebro precisa, então, se readaptar para continuar a desempenhar essas funções. Daí os diversos sintomas que prejudicam nosso cotidiano de forma tão pesada.


Lisa Mosconi, autora do livro “O Cérebro e a Menopausa” (2024 – Casa dos Livros LTDA) que traz informações atualizadíssimas sobre o assunto, explica que, é como se uma máquina que sempre funcionou com gasolina tivesse que se adaptar a funcionar com outro combustível. É possível? Sim, mas serão necessárias muitas adaptações. 


Com base no que Lisa nos traz, temos os sintomas corporais, ligados diretamente à interrupção do funcionamento dos ovários e às mudanças físicas diretas nos tecidos e órgãos periféricos: menstruação irregular, secura vaginal/sexo doloroso, sintomas geniturinários, alterações musculares, alterações relacionadas às mamas, fragilidade óssea/tendência à osteoporose, dentre vários outros. 


Mas não são só os sintomas no corpo. Ela esclarece que o cérebro também sente — e muito.  A falta do estrogênio no funcionamento dos neurônios, neurotransmissores e na energia cerebral gera ondas de calor/mudança na temperatura corporal, dificuldade de concentração, dificuldade de encontrar palavras e termos, oscilações de humor, dificuldade com multitarefas, baixa na libido, no desempenho cognitivo/névoa cerebral – mais de 60% das mulheres podem viver isso -, insônia, dentre muitos outros possíveis.


Percebemos, então, que o cérebro vai precisar de muita energia dirigida a essa mudança de “combustível”. Além disso, cada sintoma cerebral citado diz respeito a partes diferentes dele, que dependiam desse hormônio – daí a grande variedade de manifestações.


Você se reconhece nas manifestações que cito acima? Provavelmente sim e, agora, sabe que elas fazem sentido, ou seja, tem muita coisa acontecendo em e com você. São modificações globais que toda mulher passa, mesmo as que não tem sintomas. 


Concordo que seja uma loucura ter que passar por isso, mas, decididamente, você não está ficando louca! Inclusive, porque tudo tende a se normalizar após todo esse processo, que pode ser demorado. Mas vai passar!


Como lidar com esse “destino”? Na verdade, atualmente já temos muitos recursos que nos ajudam a superar esse desafio. Das reposições hormonais às soluções mais naturais; alimentação adequada; exercícios; higiene do sono; práticas de mindfulness; psicoterapia e momentos de pausa, temos várias opções (ao mesmo tempo) que podem se adequar a cada uma de nós. E o que me ajuda não necessariamente vai ajudar a você. É preciso que tenhamos a orientação certa, personalizada, cuidadosa e que valida nossas manifestações e vivências. 


A partir do momento em que nós mesmas validamos o que sentimos e vivemos, podemos perceber em quem cuida de nós – ginecologistas, nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e por aí vai – se também validam ou se apenas tratam como um “faz parte”. Não precisamos vivenciar todos os sintomas. Podemos prevenir, tratar e/ou minimizar.


Nossa rede de apoio, ou seja, maridos/companheiros(as), filhos, familiares e amigos, também precisam saber e validar o que estamos passando. Mas só o farão, se nós o fizermos, levando informações verdadeiras e atualizadas em nossos papos informais. 


De qualquer maneira, é preciso ter em mente que precisamos buscar nosso autocuidado em 2 pilares: respeito (autorrespeito, respeito de quem nos cerca, respeito de quem cuida de nós) e informação (que nós buscamos, que outras pessoas bem-informadas nos passam, que os profissionais que nos cuidam nos forneçam). 


Além de todo esse processo e seus sintomas, outras coisas acontecem nesse período: filhos crescem, relações se transformam, o corpo muda, perdas aparecem… e surge a pergunta: onde fico eu agora?


É um tempo de reorganizar a própria história. É sobre dar novo lugar ao que você já viveu, além de lidar com a montanha-russa orgânica que traz as consequências biológicas e psíquicas.


Você não precisa enfrentar tudo isso sozinha. 


Se esse texto fez sentido para você, talvez seja o momento de olhar com mais cuidado para si mesma — com o apoio certo.


A psicoterapia pode te ajudar a entender o que está acontecendo, reduzir o sofrimento e encontrar um novo equilíbrio nesse momento da vida. 


Nós, da ConQuistaH Consultoria Psicológica, estamos com você!


Lembre-se: autorrespeito e informação mudam tudo — inclusive a forma como você atravessa essa fase. 



 
 
 

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