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RELACIONAMENTOS AFETIVOS

Ana Paula Aquilino

Psicóloga, Palestrante, Coach

CRP SP 20694

Parceira ConQuistah Consultoria Psicológica



Nosso tema de hoje é tão relevante quanto delicado. Quanta alegria e quanta dor, quanta sanidade e insanidade podem ser detectadas nas relações mais importantes de nossas vidas. E quando falo dessas relações, me refiro a muitos tipos, muitas intensidades possíveis.


É importante pensarmos que as relações afetivas nem sempre são construídas com o colorido do aconchego, do acolhimento, do amor em sua forma mais positiva. A afetividade pode ser algo explosivo, áspero e agressivo. Neste texto, vou focar apenas no afeto e nas relações afetivas positivas, quentes, amorosas.


Podemos pensar em relações entre casais; entre pais e filhos; entre irmãos; vínculos com familiares como avós, tios, primos; amizades que se fazem mais próximas do que a consanguinidade; professores; médicos, pets, enfim, são infinitas as possibilidades da construção de relacionamentos afetivos.


E, sendo assim, um assunto tão amplo e relevante, vale começar por definir, em meio a todas essas possibilidades, o que significa afeto/afetividade. Busquei diversos tipos de fontes, desde textos publicados por não-especialistas a definições dentro de linhas na Psicologia. Mas é interessante percebermos que a grande maioria se restringe a relacionamentos de casais. Minha proposta, neste texto, é ampliar essa visão para todas as possibilidades que cito acima.


Vamos às duas definições que escolhi para este momento:


“(...) Vínculo afetivo é tudo aquilo que estabelece uma ligação afetiva ou moral entre duas ou mais pessoas(...)”. (geracaoamanha.org.br/vinculos -afetivos-e-familiares)


“Afetividade é um termo relacionado à manifestação de sentimentos de afeto por um indivíduo, ou seja, aquele que sente ou demonstra ternura, carinho ou amor em qualquer medida, por meio da linguagem verbal, gestual ou corporal, que gera um clima caloroso (...)”. González, R.. (agosto 2023). Conceito de Afetivo/Afetividade. Editora Conceitos. Em https://conceitos.com/afetividade/. São Paulo, Brasil.


Esta última é a que mais gostei! A que considerei mais clara e simples.


Em diversas outras referências que encontrei, mesmo as que vêm de teóricos da Psicologia, a afetividade é incluída, confundida, misturada ao amor. Vamos, portanto, considerar como amor, os diversos tipos de relacionamento afetivo que coloquei no início.


E então, proponho as seguintes reflexões: quem ama atua afetuosamente? Quem age afetuosamente ama?


Talvez a resposta para essas reflexões esteja muito mais na capacidade de cada ser envolvido, do que no tipo de relação em si.


Sabemos, por estudos realizados na área da Psicologia ao longo de mais um século, que a maneira como a afetividade é vivenciada na infância define muito sobre a forma como uma pessoa vai conseguir expressar suas emoções e sentimentos ao longo da vida.


Isso significa que expressar afeto envolve um aprendizado, dentro daquilo que vivemos como modelo positivo, que queremos reproduzir, ou de modelos negativos, que optamos por não repetir.


O fato é que temos aqui dois componentes inquestionáveis na construção da expressão da afetividade: de um lado, o quanto pudemos viver e/ou ver expressões de afeto positivo, ou seja, carinho, ternura etc.; de outro, nossa escolha na reprodução ou não dos modelos vivenciados, segundo possibilidades individuais definidas, até mesmo neurologicamente. Ou seja, o que o meio nos proporciona e o que fazemos com isso. Fora e dentro, para cada ser humano.


O toque físico é uma das principais formas de expressão de afetividade. Quando falamos em carinho, uma associação bem comum pode estar relacionada ao afago, ao abraço, e mesmo a beijos, não necessariamente aos mais quentes que acontecem dentro da relação amorosa, porém, esses também. Tudo depende do tipo de relação, pois tudo isso pode acontecer numa relação de amizade, sem que haja a paixão da expressão amorosa da relação de casal. Mas note que são expressões possíveis num e noutro tipo de relacionamento.


Outra expressão comum pode estar no cuidar. Não há abraços e afagos, mas o cuidado está presente nas mais diversas situações, deixando a afetividade clara.


Um olhar; uma atitude de defesa diante de alguma situação específica; uma mensagem; um telefonema; um objeto no lugar certo, no momento certo; enfim, a expressão de afeto dentro de uma relação não tem uma fórmula pronta.


E tem a ver com quem expressa e não com quem recebe. Será?


Podemos ter “aprendido” ao longo de nossas vidas, a expressar, mas não ter aprendido a receber. Podemos encontrar alguém que transborde em suas expressões afetivas, de forma até excessiva para quem as recebe. Podemos, também, encontrar pessoas que não conseguem se expressar afetivamente, mesmo tendo um afeto profundo por alguém. As questões envolvidas em cada caso são únicas e podem ser bem desafiadoras.


Neste caso, um afago, um abraço, uma atitude de cuidado podem chegar como algo invasivo, ofensivo e, até doloroso, a depender da história de vida de quem está recebendo.

Com estas reflexões vai ficando claro o quanto relacionamentos afetivos, sejam de que tipo forem, podem ser complexos e exigirem ajustes na direção da melhor expressão e da aceitação de quem recebe.


Há que se construir uma compreensão mútua, uma vez que, uma das possibilidades da complexa troca nas relações afetivas, pode envolver alguém que “é dos afagos” e alguém que “atitudes falam mais do que afagos”. E essa equação fica da seguinte forma: eu gosto/sei afagar, portanto quero receber afagos X eu mostro que me importo por meio de atitudes, não suporto toques, não quero afagos”.


As pessoas querem e precisam daquilo que conseguem dar, muitas vezes, sem levar em consideração o que o outro consegue dar e precisa receber.


Muitas vezes, quando pensamos “não consigo te entender”, na verdade estamos sentindo “não consigo entender como você pode ser diferente de mim”.


Assim, é preciso, antes de mais nada, termos consciência de nós mesmos, sabendo que somos apenas nós mesmos, efetivamente. Só depois dessa etapa, podemos enxergar o outro, o além de nós mesmos. E então conseguimos ver o que sabemos expressar e o que precisamos/queremos receber, diferenciando do que o outro é capaz expressar e o que precisa receber.


Então, eu havia colocado as seguintes reflexões: “quem ama atua afetuosamente?” e “quem age afetuosamente ama?” A resposta para estas perguntas será um enorme “depende”.


Você se conhece o suficiente para saber o que é uma necessidade sua, sem se impor como sendo o/a dono(a) da verdade sobre como deve ser um relacionamento afetivo, seja qual for? Sem criar expectativas, mas se expondo com autenticidade no amor, na amizade, com seu pet... Ser autêntico não significa ser “autenticida”, nem sinceridade significa ser “sincericida”, uma vez que nos dois casos, coloca-se o julgamento sobre “como você pode ser diferente de mim?”.


Ser afetuoso por meio de gentileza, acolhimento, aconchego, cuidado, toque, palavras, gestos ou atitudes é algo extremamente realizador. Mas só é, realmente, se conseguimos perceber que a resposta de quem recebe tudo isso é, também, de alguma forma, afetuosa. Significa que estamos acertando. Caso contrário, é porque não estamos falando a mesma língua afetiva do outro. Ou que não estamos entendendo a língua que o outro está “falando”.


Relações afetivas sadias envolvem respeito, autoconhecimento, autoconsciência, empatia, amor, seja de que tipo for. Você está preparado para isso? Você se propõe a isso?


Peça ajuda, se tudo isso parecer complexo demais! A Psicoterapia está aí para promover esse encontro consigo mesmo e propiciar o encontro com o outro em relações afetivas saudáveis e realizadoras.


A escolha é sua! Sempre e somente sua!

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