• Conquistah Consultoria Psicológica

“Mães de Filhos com Deficiência”


Este é um estudo planejado e concretizado em função de relatos de mães de filhos com deficiência, durante palestras ministradas por mim, Eliana Aparecida Conquista, como Psicóloga Clínica e pessoa com deficiência física.

As palestras tinham o objetivo de compartilhar minha trajetória de vida, marcada por obstáculos, bullying no ambiente escolar e, sobretudo, uma história de superação por grande influência da minha genitora, que me incentivou a lutar pelos meus objetivos, possibilitando tornar-me uma pessoa “feliz”. Conto minha história com detalhes em meu livro “Escolhi Ser Feliz” (2019) - foco dessas palestras que ministrei.

Enquanto eu relatava minha vivência, observava que essas mulheres se emocionavam, por identificarem-se com a luta da minha mãe. Relatavam que não recebiam apoio psicológico para lidar com a responsabilidade de cuidar de seus filhos com deficiência.

Com esse olhar, uni-me a mais três colegas de profissão e a uma Terapeuta Holística. Juntas revimos nossa atuação profissional em instituições que atendem crianças com os mais diversos tipos de deficiência. Nossas experiências confirmavam a observação de que as mães - mulheres lutadoras em prol de seus filhos, muitas vezes como únicas cuidadoras - realmente não tinham uma atividade direcionada ao seu apoio, esclarecimento ou suporte emocional.

Essas mulheres gestaram seus filhos, certamente, com expectativas e planos, como toda e qualquer mãe. No entanto, a realidade lhes trouxe crianças que demandam cuidados específicos, que mudam e envolvem todo o seu dia, modificando suas atividades e colocando-as no confronto entre expectativas e realidade.

Como será que essas mães se sentem no cumprimento das obrigações relativas a esses filhos? Como será que lidam com suas dores ligadas ao assunto? Como será que a família encara a questão? Será que elas têm o apoio da família nas atividades do dia-a-dia? Será que se sentem solitárias em suas lutas? Será que têm um tempo para si mesmas, recarregando-se positivamente para o apoio aos filhos, sem terem a própria saúde prejudicada, física e emocionalmente?

Nossa visão é a de que a questão de como encararam o diagnóstico de seus filhos, antes do nascimento e, algumas vezes, após nascerem, com toda expectativa anterior frustrada, não é acolhida.

Chamou-nos a atenção que, nessas instituições, suas próprias angústias, tristezas e, muitas vezes, a culpa que essas mães vivenciam, concomitantemente à necessidade diuturna dos cuidados direcionados aos filhos, ficam totalmente negligenciadas, como se não fosse necessário serem também cuidadas e acolhidas na mudança de rumo que aconteceu em suas vidas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) cita que “Qualidade de Vida” envolve o bem-estar físico, mental, psicológico e emocional do indivíduo”. O índice de Desenvolvimento humano (IDH) é utilizado como medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança, média de vida, natalidade e outros fatores.

Essa diversidade de aspectos aponta muito do que precisamos melhorar em nossa visão, para “enxergarmos” o outro em sua totalidade, à medida que o escutamos e conseguimos olhar o que existe por detrás daquele ser humano - neste caso, as mães dessas crianças com alguma deficiência.

Indiretamente, os filhos dessas mulheres, também serão beneficiados por receberem cuidados de mães que se sentem mais equilibradas por serem acolhidas em suas emoções, de forma a aceitarem e compreenderem melhor o diagnóstico fornecido e suas próprias emoções a respeito.

Eis uma tarefa que requer habilidade, boa vontade, determinação e fazer “valer a pena”. Nesse sentido, muitas questões podem ser apontadas e buscamos, por meio desta primeira pesquisa, clareza efetiva sobre esse contexto, para colocarmos em prática ações que vão ao encontro dessas fortes e dedicadas mulheres, tão especiais e doridas em suas emoções de mães.

Em parceria com as Psicólogas e a Terapeuta Holística da Conquistah Consultoria Psicológica, a pesquisa foi realizada para dar voz a essas mães. Por meio do projeto resultante dos resultados que obtivemos, poderemos oferecer escuta e acolhimento psicológico (individual ou grupal).

Para isso, as hipóteses que levantamos neste estudo estão direcionadas a comprovar que as necessidades na área existem e podem ser solucionadas por meio dos projetos que pretendemos implantar, com o apoio de órgãos governamentais e não governamentais.

Hipóteses

1 Quanto maior o grau de escolaridade da mãe, maior a possibilidade de entendimento do diagnóstico do filho.

2 Há impacto emocional no momento do diagnóstico de deficiência de um filho, tanto para a mãe quanto para os familiares.

3 Inexiste trabalho de acolhimento psicológico institucional para que a mãe seja amparada emocionalmente.

4 As mães de filhos com deficiência não têm um momento do dia reservado só para si.

5 Mães de filhos com alguma deficiência sentem necessidade de apoio emocional.

6 Se a mãe tivesse oportunidade de receber apoio psicoterápico, preferiria que fosse individualizado.

CONCLUSÃO

Cada uma das hipóteses foi confirmada, provando que a relevância dos projetos que podemos montar com base nos resultados é indiscutível.

De antemão, percebemos que é possível e necessário efetuar esse apoio, auxiliando essa população, que tanto dele necessita.

Vale ressaltar que diversas mães, ao responderem à pesquisa, deixaram seus depoimentos de já sentirem-se ouvidas, apenas por responderem às perguntas propostas. Este fato nos motiva ainda mais a buscar os melhores caminhos para implementar projetos de suporte às suas emoções.

Mediante esses resultados, já iniciamos alguns atendimentos psicológicos gratuitos, por vídeo chamada, devido à quarentena, durante a Pandemia de COVID-19. Porém temos a intenção de dar continuidade com nossos propósitos, de forma presencial.

Pretendemos ser desbravadoras de ideias. Nosso fito é atingir órgãos governamentais ou não, nos quais galgaremos possibilidades financeiras que viabilizem a instalação de serviços de apoio psicológico às mães, desde o diagnóstico da deficiência do filho, sendo que nossa coleta afirma essa necessidade.

Temos um olhar que vai além. Nossa proposta é usar recursos técnicos psicológicos, muito cuidado e atenção diferenciada àquelas que muitas vezes tem sua relevância subestimada e ignorada no processo de desenvolvimento desses filhos.

Sabemos que essas crianças podem conquistar muito, se aceitas e estimuladas pela família e, principal e primordialmente pelas mães, que tanto lutam pelo seu bem-estar e acolhimento.

A decisão é nossa! Só nossa!!

São Paulo

2020



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