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SER FELIZ ENTREVISTA

Entrevista com a Vanda Ramiro Por Eliana Aparecida Conquista


Vanda Ramiro, psicóloga, neuropsicóloga, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e especialista na Prova de Rorschach. Atuação clínica em psicoterapia, avaliação e reabilitação neuropsicológica de adultos e idosos, supervisão clínica de avaliações e atendimentos em psicoterapia e neuropsicologia.


1. Há quanto tempo exerce a profissão, como Psicóloga?

40 anos.


2. Fale um pouco de sua trajetória profissional?

Comecei trabalhar na saudosa Universidade São Marcos, no Ipiranga, no início de 1976, na recepção. Fiz o vestibular no meio do ano, comecei o curso de graduação em psicologia e continuei trabalhando na tesouraria da universidade até o penúltimo ano do curso, quando fui trabalhar na “sala de T.E.A.P” (Técnicas de Aplicação Psicológica), onde aconteciam as aplicações de testes e supervisões das disciplinas de avaliação psicológica. Então, começou a paixão pelo psicodiagnóstico.


Como uma das responsáveis pelo acervo dos manuais dos testes, usados por professores e alunos, controle da agenda dos treinos e aplicações práticas, pude ficar muito perto dos professores destas disciplinas. Também fazia trabalho particular de datilografia de trabalhos para os alunos, para aumentar a renda, e, tive a sorte de datilografar os relatórios de uma pesquisa que duas professoras desenvolviam na época, com o uso da Prova de Rorschach em pacientes psiquiátricos, quando “descobri” a riqueza desse teste, que havia conhecido no curso. Passei a participar de algumas reuniões da pesquisa, me envolvi cada vez no trabalho e não parei mais.


Comecei como auxiliar de ensino em 1983 inicialmente nas supervisões de Rorschach, em 1986 comecei o curso de especialização na Sociedade Rorschach de São Paulo, também fiz pós graduação em psicopedagogia, me tornei professora na universidade, no curso de psicologia. Em 1993 fiz o mestrado na área de concentração de psicologia do desenvolvimento, o que me levou também para o curso de pedagogia, onde lecionei a disciplina de Educação Especial por algum tempo. Na mesma época, além das aulas e supervisão da Prova de Rorschach, também me tornei supervisora na clínica escola da universidade, até 2011, quando a universidade, infelizmente encerrou suas atividades.


Enquanto desenvolvia a área acadêmica, continuava em atendimento clínico no consultório, fazia psicodiagnóstico com Prova de Rorschach para algumas clínicas de dependência química e tive experiência no Instituto de Medicina Criminal de São Paulo (IMESC), fazendo avaliação psicológica complementar às perícias criminais que lá eram feitas. Fiz o curso de neuropsicologia, em um Instituto português, participei de sua fundação em São Paulo, em 2003, o IPAF (Instituto de Psicologia Aplicada e Formação), onde trabalhei como coordenadora pedagógica e professora até 2016.


Desde então, continuo em consultório particular, com atendimento em psicoterapia, avaliação e estimulação neuropsicológica.


3. O que o Mestrado em Psicologia do Desenvolvimento a ajudou nesta trajetória?

Inicialmente, o mestrado foi uma etapa obrigatória para a continuidade na docência no ensino superior. Mas foi uma experiência muito importante e de grande relevância na minha formação profissional, pois além de possibilitar lecionar no curso de pedagogia, como citei anteriormente, também me ajudou muito quanto o enriquecimento do raciocínio clínico, pois na época tanto no consultório como em supervisão na clínica escola, os atendimentos eram muito com crianças. Então, estudar mais sobre o desenvolvimento humano, só contribuiu para o trabalho clínico. Na elaboração da dissertação do mestrado, como tinha escolhido pesquisar sobre o comportamento de brincar de crianças cegas, visto que também tive a oportunidade de trabalhar por um período em uma instituição que atendia esta população, foi preciso ampliar a pesquisa para o funcionamento cerebral dos meus atendidos, o que me aproximou das neurociências, que já me interessava desde os estudos da prova de Rorschach e definiu minha especialização na neuropsicologia.


4. Como Especialista na prova de Rorschach, como vê a contribuição deste teste, na avaliação da personalidade humana?

Me apaixonei pela Prova de Rorschach e quanto mais a conhecia, estudava e usava essa ferramenta para a compreensão da personalidade humana, mais a respeitava. Pude comprovar, na prática, sua contribuição. Na clínica, é inegável, o quanto o psicodiagnóstico contribui para o trabalho do atendimento, compreender o funcionamento psicológico do atendido, possibilita maior segurança no trabalho.


Posso afirmar, com tranquilidade, que todas as devolutivas de avaliação com a Prova de Rorschach que fiz, se constituíram em intervenções positivas, mesmo nos casos nos quais o examinado não concordasse com o que lhe era dito. Foi através deste instrumento, que pude compreender a riqueza do psicodiagnóstico, não apenas como busca de um “rótulo” para o examinado, mas, sempre, quando bem feito, como uma explicação para o seu funcionamento psicológico.


Acho que preciso ressaltar, que meu trabalho em psicodiagnóstico e avaliação neuropsicológica, se complementam e na minha avaliação neuropsicológica, também incluo a Prova de Rorschach.


Nesta caminhada, posso afirmar, como é importante a contribuição do psicodiagnóstico e da avaliação neuropsicológica.


Pude observar muitas vezes, como é importante para uma pessoa, que sempre apresentou algum comportamento pouco compreendido por sua família, pela escola que frequentou, amigos e por ela mesma, o motivo de ser “diferente” de seus pares. O quanto esse psicodiagnóstico possibilita a busca de formas de melhorar ou até superar muitas das dificuldades com as quais sempre conviveu.


Saber, de um modo objetivo e justificado através de uma produção própria, que ser “isto” ou “aquilo” não significa ser problemático ou doente, mas funcionar apenas de um jeito diferente e o quanto é possível conseguir ajustar este funcionamento e tornar-se mais encaixado no ambiente onde convive, com menos desgaste, é muito importante. Dá sentido para tantos questionamentos que sempre foram feitos, tantas dúvidas e incertezas. Seja para a pessoa, criança, adolescente ou adulto, seja para a família que o acompanha, bem como, contribuição para a equipe de saúde que também trabalha com essa pessoa.


Posso afirmar, com tranquilidade, que é muito gratificante fazer este trabalho.


Ainda que seja uma avaliação de alguma pessoa que está, de fato, com algum comprometimento degenerativo, como nos casos dos encaminhamentos de neurologistas para avaliação neuropsicológica de pessoas com demências por exemplo, também é um trabalho gratificante. A medida, que possibilita orientar: a própria pessoa, seus familiares, cuidadores, quanto as reais expectativas, cuidados necessários, além de dividir o peso do diagnóstico, pois somos psis.... neuropsicólogos e estamos sempre disponíveis para o acolhimento.


Acredito que o psicodiagnóstico e a avaliação neuropsicológica, só tem sentido quando contribui para que ambos, examinado e examinador possam ganhar e que esse ganho seja sempre a compreensão ou a reflexão no sentido de compreender as queixas, claras ou não. E, sem dúvida, por sua natureza, projetiva construtiva, a Prova de Rorschach, possibilita que toda a produção do examinado, se lida com cuidado e o preciosismo que a ferramenta demanda, fornece informações valiosas sobre a organização psicológica. Seus recursos e possibilidades e não apenas um rótulo de funcionamento, haja visto que como o seu criador, Hermann Rorschach já havia deixado claro, não é o objetivo do instrumento. E ainda, mesmo nos casos de uso da ferramenta para o psicodiagnóstico no início de um processo psicoterapêutico, saber quais são as habilidades, forças e fraquezas, sem dúvida é um bom começo para a ampliação do autoconhecimento.


5.Como vê o desenvolvimento da neuropsicologia nesses últimos anos?

Vejo como resultado do desenvolvimento da própria ciência e da tecnologia, que possibilitou a criação de técnicas de exames de imagem, cada vez mais sofisticados, mas que não conseguem verificar como é o funcionamento cerebral quanto suas funções, principalmente as funções superiores, responsáveis pelo comportamento humano, objeto de estudo da neuropsicologia.


Creio que a psicologia nunca prescindiu dos conhecimentos da neuropsicologia e se o fez, em alguns momentos históricos e em alguns modelos de trabalho, com certeza, não prestou sua real contribuição para os seus atendidos.

Ainda, considero que atualmente, só tem sentido conceber o funcionamento cerebral como um modelo dinâmico, resultado da integração de todas as funções nervosas superiores, as funções psicológicas, desenvolvidas a partir do substrato biológico, nas relações interpessoais que cada humano vive desde o seu nascimento, a fim de que se possa contribuir, verdadeiramente, para a compreensão do comportamento das pessoas, em seus diferentes contextos de vida.


6. Seus atendimentos são pautados para algum grupo ou instituição específicos?

Não, trabalho como autônoma e faço atendimentos para pessoas em vários contextos, não sou credenciada a nenhuma instituição.


7. Que faixa etária você atende? Qual a faixa etária mais comum entre seus pacientes?

Atualmente trabalho com adultos e idosos em diferentes contextos e os casos de crianças e adolescentes, encaminho para a colega do consultório. Tem sido comum a procura por psicoterapia de adultos, com queixa de ansiedade, necessidade de orientação pessoal e profissional, decorrente do momento atual. Também tem sido recorrente, a busca por idosos, com queixas de perdas cognitivas e perda da motivação, devido o distanciamento social que o momento impõe.

8. Como professora qual seria sua maior contribuição? E como supervisora - atende no geral, ou mais especificamente para o Teste Rorschach?

Acredito que ser professora e supervisora são atividades que se complementam e nunca acabam. Atualmente continuo lecionando, em um curso livre para pessoas maduras, organizado por uma equipe de professores, que começou na Faculdade Oswaldo Cruz e com a pandemia, tomou um formato a distância, através do WhatsApp, para atender às necessidades de nossos alunos, quando tenho a honra e possibilidade de dividir conhecimentos, trocar com o grupo de colegas e alunos experiências e informações, que nos enriquecem.


Também, quando atuo como supervisora de casos clínicos de psicoterapia, psicodiagnóstico, avaliações neuropsicológicas ou estimulação neuropsicológica, seja de crianças, adolescentes, adultos ou idosos, em algum momento do processo cabe alguma informação e contribuição, como professora. Embora minha maior experiência seja com a Prova de Rorschach, a atuação acadêmica com outros testes e a formação em neuropsicologia me possibilitaram ampliação do olhar.


9. Por favor, explique um pouco sobre a bateria neuropsicológica. Para que serve? Quais são suas maiores indicações?

O termo “bateria neuropsicológica” designa um conjunto de provas, que tem por objetivo, avaliar os vários domínios do funcionamento cerebral: atenção, memória, funções da linguagem, funções visuo espaciais, praxias, funções executivas, pensamento. Existem conjuntos fechados, organizados por escolas ou autores diversos, que se denominam “baterias”, no entanto, o termo também pode designar, o conjunto de todos os testes que um neuropsicólogo utiliza para seu trabalho de avaliação de cada caso, nos diferentes contextos de seu trabalho.


Assim, os instrumentos utilizados no consultório, podem não ser os mesmos utilizados no hospital. Os materiais são específicos para objetivos específicos. Não existe uma bateria única, que serve para todos os contextos.


As indicações para avaliação neuropsicológica, são abrangentes, sendo alguns dos contextos mais comuns: o clínico – feito no consultório ou em clínicas especializadas em serviços de neuropsicologia, com objetivo de verificar o funcionamento neuropsicológico do avaliado, com diferentes queixas, sendo os casos mais comuns os diagnósticos de dificuldades de aprendizagem; diagnósticos diferenciais entre transtornos de personalidade e alterações neuropsicológicas (como exemplo: hipótese de transtorno de personalidade x comprometimento neuropsicológico que implica em comprometimento do comportamento); perdas cognitivas (hipótese de demências); contexto judicial, que abarca tanto as avaliações com objetivo de benefícios previdenciários, ou outros; etc


Geralmente, os encaminhamentos para avaliação neuropsicológica são feitos por psicólogos, médicos neurologistas, geriatras e psiquiatras, além de clínicas que atendem grupos específicos, como as clínicas que trabalham com a manutenção da abstinência nas dependências químicas. Não podemos esquecer, também, dos encaminhamentos feitos pelas escolas. 10. Gostaria de nos passar seu contato?


Vanda Ramiro – SERNEUROPSI – Serviços de Neuropsicologia Rua Vergueiro, 2045 cj.601 – V. Mariana – São Paulo

WhatsApp: (11) 99606-0579 | vanda.cianga@gmail.com



SER FELIZ ENTREVISTA Eliana Aparecida Conquista CRP/SP 06/42.479






ENTREVISTADA

Vanda Ramiro

CRP/SP 06/12.371





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✆ +55 (11) 98904.5112

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